terça-feira, 24 de julho de 2012

book #130 - unbearable lightness

Depois de ter visto no "Ellen" o especial sobre o lançamento do livro, fiquei curiosa, mas o livro demorou tanto tempo a chegar que acabei por perder o interesse e depois peguei nele mesmo por pegar, mas ainda bem que o fiz.
O livro foca-se na perda de peso, mas isso é apenas um disfarce, a meu entender. É uma critica á sociedade em que vivemos nos dias de hoje.
As pessoas ficam tão obcecadas em agradar os outros, em enquadrar-se, que acabam por ir a extremos. Não importa se somos felizes ou saudáveis, o que importa é que a sociedade nos aceite. É essa a história da Portia. É isso que o livro me transmitiu.
Temos uma rapariga, Amanda Rogers, que não gosta da sua aparência e então, para compensar isso, decide que tem que ser a melhor e quando isso não funciona, decide que tem que se tornar modelo, porque as modelos são bonitas.
Quando a mãe dela aceita a decisão da filha, tudo gira á volta dela. O problema é que não importa o que faça e o que alcance, a pequena Amanda nunca está satisfeita e, convenhamos, a mentalidade dela não é das melhores. E para piorar as coisas, a mãe, muito provavelmente impulsionada por um sentimento de culpa, faz-lhe as vontades todas e até a ajuda nas dietas malucas que ela faz quando tem uma sessão fotográfica.
Como ser modelo não é suficiente, ela acaba por decidir que também quer ser actriz. E nasce assim Portia de Rossi.
Para além de não gostar do que vê no espelho, Portia é lésbica. É de lembrar que tudo isto se passa nos anos 90 e que a própria Elle DeGeneres foi despedida por ter assumido publicamente que era lésbica.
A única pessoa que sabe que ela é lésbica é a mãe e daí não veio muita ajuda, porque a mãe aconselha-a a manter-se "no armário".
Resumindo, temos uma pessoa que odeia o seu corpo e que é uma lésbica fechada a sete chaves no armário.
E porque é que ela se odeia? Porque a sociedade ensinou-lhe que "se queres ser amada e aceite, tens que caber num tamanho 4" ... e o caso piora quando ela assina contrato com a L'oreal e para eles o tamanho 4 equivale a um tamanho 8. Claro que isso acaba por fazer com que ela odeie ainda mais o que vê no espelho.
Pele e osso. Básicamente a esse ponto que ela chega. Ela fica tão obcecada em ser magra que passa fome, faz exercicio sem parar ... e quando já não tem mais nada a não ser pele e osso, ela continua a achar que isso não é suficiente, que há sempre uma ou outra gordura a perder.
Ela chega mesmo ao ponto de se passar completamente porque comeu uma pastilha elástica. Isso faz com que ela corra de um lado para o outro num parque de estacionamento, que vá para casa e que corra para cima e para baixo nas escadas do prédio.
É o extremo.
E quando finalmente o pessoal á volta dela decide reparar que ela tem um problema, ela vai para a reabilitação e passa de um extremo ao outro.
Engorda e depois acaba por se arrepender e sentir que tem que enverdar novamente pelas dietas loucas que fazia.
Tudo isto e ainda o medo de ver a sua orientação sexual exposta.
As coisas acalmam quando ela finalmente acaba por se aceitar tal como é. E é aí que eu lhe dou valor. Ela precisou de estar á beira da morte para se aperceber que ela não tem que agradar mais ninguém a não ser ela própria, mas ao menos apercebeu-se, enquanto que há pessoas que nunca chegam a essa conclusão.
Chorei ao ler este livro, porque me idêntifiquei com algumas situações. Mas sobretudo chorei quando ela se apercebeu que a Ellen se apaixonou por ela quando ela engordou todos aqueles quilos. Foi aí que ela percebeu que não tinha que agradar aos outros, que a felicidade não escolhia formas ou orientação sexual.
Primeiro que tudo, se estão numa de perder peso, leiam este livro, porque para além de inspirador, é uma ajuda sobre o que não devem de fazer. Segundo, mesmo que não estejam a perder peso e se sintam bem com o vosso corpo, leiam este livro, porque é uma lição de vida e um retrato fiel da sociedade em que vivemos e o quanto é necessário mudar.
O livro foca-se na jornada pela anorexia, mas pode-se aplicar a tantas coisas que estão erradas na sociedade de hoje.

Sinopse;
“I didn’t decide to become anorexic. It snuck up on me disguised as a healthy diet, a professional attitude. Being as thin as possible was a way to make the job of being an actress easier . . .”
Portia de Rossi weighed only 82 pounds when she collapsed on the set of the Hollywood film in which she was playing her first leading role. This should have been the culmination of all her years of hard work—first as a child model in Australia, then as a cast member of one of the hottest shows on American television. On the outside she was thin and blond, glamorous and successful. On the inside, she was literally dying.

In this searing, unflinchingly honest book, Portia de Rossi captures the complex emotional truth of what it is like when food, weight, and body image take priority over every other human impulse or action. She recounts the elaborate rituals around eating that came to dominate hours of every day, from keeping her daily calorie intake below 300 to eating precisely measured amounts of food out of specific bowls and only with certain utensils. When this wasn’t enough, she resorted to purging and compulsive physical exercise, driving her body and spirit to the breaking point.

Even as she rose to fame as a cast member of the hit television shows Ally McBeal and Arrested Development, Portia alternately starved herself and binged, all the while terrified that the truth of her sexuality would be exposed in the tabloids. She reveals the heartache and fear that accompany a life lived in the closet, a sense of isolation that was only magnified by her unrelenting desire to be ever thinner. With the storytelling skills of a great novelist and the eye for detail of a poet, Portia makes transparent as never before the behaviors and emotions of someone living with an eating disorder.

From her lowest point, Portia began the painful climb back to a life of health and honesty, falling in love with and eventually marrying Ellen DeGeneres, and emerging as an outspoken and articulate advocate for gay rights and women’s health issues.

In this remarkable and beautifully written work, Portia shines a bright light on a dark subject. A crucial book for all those who might sometimes feel at war with themselves or their bodies, Unbearable Lightness is a story that inspires hope and nourishes the spirit.

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